O senador
Demóstenes afirma que recorrerá ao supremo tribunal para anular a escuta
telefônica da Polícia Federal, pois faz dele um possível contraventor, a Polícia Federal não tem ou não tinha uma
licença legal para escutar as conversas do senador. Qual será ou seria o
argumento? Bem, ele, parte do seguinte raciocínio:
__ Eu não estava
conversando com um sujeito suspeito de contravenção, ele é que falava comigo
(para um advogado isto é verdade).
O advogado do senador
afirma que:
__ Um senador só
pode ser investigado com autorização da suprema corte.
Não cabe aqui
citar o que pesa, mas, o fato é que, mesmo se o senador estiver causando
contravenção, não poderia ser processado, pois o supremo não deu permissão para que as conversas
"na calada-da-noite" revelassem a sua verdadeira índole, ou que tipo
de moral o mesmo tem!
O senador tem
todo o direito 'do mundo' em se defender e alegar inocência.
Claro que tem! O
fato de o senador estar praticando atos ilícitos não implica em nada de ilegal
ou imoral, afinal, a suprema corte ("que suprema"), não autorizou a escuta telefônica que seria,
ou que poderia ser usada em prol da moralidade da nação, contra o “nobre
senador Demostenes Torres”. A lei está
acima da moral, da ética e da ordem de um país.
Entrementes, por
que a convicção do senador em recorrer à suprema corte?
Não é um hábito de nós brasileiros, mas,
lembremos: há algum tempo atrás, um juiz do supremo livrou um banqueiro de
passar algum tempo numa jaula; isto seria a primeira vez no Brasil que um
banqueiro iria direto pra cadeia.
Não satisfeito
com a liberação do caudilho a Polícia Federal prendeu-o novamente, o juiz, sua
excelência, ratificou mais uma vez a liberação do caudilho injustiçado. Pois
bem, o assunto terminou por aí mesmo, todavia, é bom lembrar mais um fato: aconteceu
nas dependências daquela casa tão justa do judiciário quanto seus ocupantes.
Certa vez (não confunda com "era uma vez") este mesmo juiz que
ratificou um "habeas corpus ad subjiciendun[1]"
para àquele banqueiro, entrou em um embate de ideias com um de seus iguais, ou
um de seus pares! O fato é que a chapa esquentou, e esquentou tanto que o embate
foi para o bate-boca. Isto mesmo, no calor
da discussão aquele que rogava-se então presidente ouviu do seu interlocutor:
__ Eu não tenho
medo de você vossa excelência, assim como não tenho medo dos seus jagunços de
suas fazendas! O debate degringolou-se para uma baixeza sem limites. Por que me
lembro desse fato? Não esqueçam leitores
amigos, que estamos lidando com um possível ou eventual julgamento de um
senador, pois este tem o poder de voto e
o banqueiro tem o poder do lobby. Este que
paga e fomenta o lobby é forte, e como é
forte! Porém quem vota é o senador! Mas por favor, leitor amigo, não me interprete
tão rápido.
Nesta mesma casa
aconteceu outro fato histórico, mas tão recente que a história ainda não o
levou aos anais dos registros oficiais. Lembro aos senhores leitores: a coisa
pouca de alguns meses atrás o supremo teve que julgar a questão da ficha-limpa,
que então houvera sido aprovada pelo legislativo. Pois bem, dentre vários, haviam
vários deputados insatisfeitos com esta nova lei. Um recorreu! Onde? Na suprema
corte. O que aconteceu é sabido por todos, todos aqueles que têm um memória
política. O supremo derrubou a legalidade da ficha-limpa, fato curioso, um único
magistrado ficou para decidir! Tempos depois a ficha-limpa foi alçada à
condição de lei, entretanto, uma coisa nunca saiu da cabeça de muitos
brasileiros. Quanto custou para que naquela primeira vez a SUPREMA corte
vetasse a legalidade da ficha-limpa! Com certeza, precisou de muitos advogados
e que "advogados", mas, por favor, não me compreendam tão depressa
internautas!
Entrementes, após essas lembranças retomo o caso
do ilustríssimo senador Demostenes: ele tem todo o direito de recorrer ao
supremo, é uma prerrogativa dele, soma-se que todo réu tem direito de ser
julgado e de ter um advogado ou vários para defendê-lo!
Num país onde os
advogados trabalham em função de dinheiro, uma suprema corte em que alguns de seus
ilustríssimos juízes contratam jagunços para proteger suas propriedades,
senadores deputados federais e estaduais assim como os nobres vereadores,
jamais cassam mandatos de seus iguais, ou seus pares por corrupção ativa ou
passiva, independente da gravidade. Soma -se a este contexto que a (nós) nossa
sociedade jamais se mobiliza para intervir diretamente nestes assuntos. Como que o Brasil será melhor e um país de
todos sendo que, aqui não podemos dizer ”nosso país”, uma vez que nós, eu, você
e ele, jamais zelamos por ele de forma patriótica? Este país jamais será nosso, meu, seu, dele.
Este fato como
vários outros semelhantes a este expõe que nossa sociedade é muito ingênua,
mansa, alegre e burra. Este imperativo categórico de levar vantagem em tudo é
que nos escraviza diante às comunidades estrangeiras, que só nos exploram,
afinal, nós ensinamos a eles o famoso “jeitinho brasileiro”.
Certa vez um
senador, que hoje é ministro disse:
__ “Eu não me
sinto bem em participar de uma comissão de ética para julgar os meus pares, ou
os meus iguais”.
Claro que ele
não se sente a vontade para punir um corrupto, pois este nobre ministro tem
compromisso é com as negociatas que correm nos corredores do senado e do
congresso, que compromisso ele tem com os seus eleitores? Nenhum.
Num país onde todos
nós brasileiros não temos memória política, como vamos punir estes anti-políticos,
estes mercenários? Afinal, hoje o que elege um político é a extensão de sua
conta bancária e os conchavos com empreiteiras, empresários das
telecomunicações e multinacionais. Nós
eleitores, somos reféns de nossa própria ignorância. Para refrescar um pouco mais
nossa ingenuidade, quando digo nossa, é nossa mesmo, inclusive este que vos
escreve.
Lembra do
presidente operário? Pois bem, quanto custou e tem nos custado o mensalão? E quando ele disse: Deixem os banqueiros em paz, se eles
quebrarem tá todo mundo ferrado!
Certa vez, não
confunda com “era uma vez”, um ilustríssimo presidente do Brasil, que quando
tomou posse, já era reconhecido como um ‘intelectual’, uma mente extremamente brilhante
para sanar os problemas do Brasil, um sociólogo. Este presidente e intelectual
foi consultado por um de seus aliados políticos que se encontrava em situação
parecida com a do Demostenes. O caso era de corrupção de dinheiro público. O gatuno da res publica pediu conselhos ao presidente
intelectual na época e este confidenciou lhe o seguinte:
__ “Fica quieto,
calado, vá pra casa, tome um chá com a esposa e faça uma viagem. Quando você,
ilustríssimo homem de bem, voltar, já terá acontecido outros escândalos e vós
não serás mais lembrado ou cobrado de nada”.
Dito e
feito e assim aconteceu... Pergunto:
__ Assim
também acontecerá com ilustríssimo senador Demostenes torres?
Um
forasteiro ao chegar em um determinado país, fica por um longo tempo a admirar
a bela e grandiosidade do local. Ao encontrar com um nativo, risonho e
apresentando se boa-praça, aquele pergunta a este:
Forasteiro:
__ Meu senhor; em quem o senhor votou para vereador?
Nativo: __ Não me lembro.
Forasteiro: __ para deputado estadual?
Nativo: __ Não me lembro.
Forasteiro: __ para deputado federal?
Nativo: __ Não me lembro.
Forasteiro: __ para senador?
Nativo: __ Não me lembro.
Forasteiro: __ para prefeito?
Nativo: __ Não me lembro.
Forasteiro: para presidente da república?
Nativo: __ Não me lembro.
Forasteiro pensando consigo mesmo: Povinho besta! É aqui que me darei bem
e minha pátria, pois vamos espoliar tudo pelo bem do meu povo.
[1] Pedindo a
liberação de um presidiário.
[2] Jagunço,
criminoso foragido ou qualquer homem violento contratado como guarda-costas por
indivíduo influente.
[3] Lugar onde algo
ou alguém pode ser encontrado.
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