(In)
Justiça.
Há aqueles que exprimem, enquanto
há aqueles que registram nos anais dos folhetins, muito sobre as injustiças no
Brasil atinente às decisões judiciais. Nelas as pessoas que têm poder econômico
nunca são presas, sempre são açambarcados, ou conseguem
postergar tanto a decisão por meio de manobras (manobras estas dentro da
legalidade penal). E sempre injetando tantos recursos (recursos na primeira,
instância, na segunda, na terceira, na quarta e nas quintas também – uma quinta
é aqui neste plano a outro e em outro plano!) que, quando sai a decisão final,
o acusado é beneficiado. Portanto, os ricos, não são presos, mas os pobres são,
isto realmente é injusto?
Acredito que não é injusto
um rico não ser preso. Por que? Para responder a está questão é preciso fazer
uma análise à distância dos sentimentos primários, analisaremos primeiro a
estrutura do sistema, depois as sentenças:
1º - O Brasil de hoje, não
tem penitenciárias suficiente para atender nem a metade dos mandatos de
prisões. Para resolver este problema, das construções das penitenciárias, seria
necessário um grande investimento em novos presídios, contratações de
profissionais das áreas, Jurídica, administrativa e de manutenção das
penitenciárias.
2º - O judiciário teria que
ser modernizado, aumentar o número de funcionários, do agente da polícia civil
até os juízes, isto em todos os Estados da federação.
3º - O judiciário federal
teria que ser também modernizado e haver mais contratações de pessoas, do
agente da polícia federal até os juízes federais.
4º - O investimento em
material para manutenção, e de equipamentos
seria muito grande, muito grande se, somente se, “se” houve por parte do
Governo realmente o interesse de resolver o problema da “(In) justiça”.
Portanto, este investimento teria
outro grande problema, resolver o desafio da corrupção nos três
poderes, fato este que é endêmico. Seria algo inimaginável, pois para tal ação seria
necessária que, juízes federais, sentenciassem seus pares, assim como,
deputados denunciassem seus correligionários, em todas as esferas do legislativo
e do executivo. Se tal evento ocorresse poderíamos afirmar, até os ateus, isto é
uma intervenção divina, ou seja, um milagre. Você leitor amigo, já imaginou um
ministro sair do seu local de trabalho e ir direto pra cadeia, ou um deputado
federal, ou um juiz federal? Não! Nós não imaginamos isto no Brasil, por que
sabemos muito bem que isto só acontece na cabeça de candidato, pois este ao se
tornar eleito esquece tudo.
Todavia, porque não é
injusto, libertar o rico, mas manter preso o pobre? Analisaremos o caso do rico
primeiro: o cidadão que é rico, tem muito dinheiro para gastar e investir em
vários setores, inclusive no judiciário, mas também em muitos outros setores,
este sujeito gera dinheiro, inclusive para os pobres. O rico pode contratar bons
advogados e estes bons assistentes para gastar com investimentos em palestras,
cursos, viagens para uma centena de lugares e se preciso for, para resolver o
problema do seu cliente. Não estou aqui afirmando que o rico pode investir
em desembargadores, juízes, delegados, agentes da polícia civil, burocratas da
esfera do judiciário, alguns da esfera do legislativo... Por favor leitor, não me compreenda tão
depressa, o que não falta aos ricos são meios para
se evadir e encontrar novos caminhos para uma sentença feliz para ele e avistar um belo
horizonte, se este for rico, o que é o no caso aqui em comento.
Pela perspectiva que aqui
apresento, crio um rico fictício para melhor explanar um fato: Apate[1] é um próspero empresário,
que investe em vários setores da economia do país. Pois bem, uma bela noite,
ele, bêbado e dopado com tudo que deus-lhe-deu-direito, atropela três pobres, elementos
que vivem com menos de um salário mínimo, esconde do sol e da chuva num
barraco, não tem água encanada, a energia é um gato e a televisão funciona com
um GatoNet. No bairro deles não há rede de esgoto, ou seja, é um indivíduo que sonha
que um dia vai se tornar uma pessoa, talvez até um cidadão!
Apate, nosso empresário,
pode gastar muito dinheiro com o sistema judiciário e continuar a fazer grandes
investimentos pelo país, enquanto que um pobre não investe nada e vive pedindo
cesta básica, bolsa família, vale-gás, escola com merenda para o filho
alimentar. Ou seja, o pobre pede, o rico tem para gastar.
Por que vamos manter um rico
na cadeia se não há lugar para todos que deveriam estar presos? “O Sistema” é
montado para isto mesmo, o Brasil não tem lugar para todos os acusados
irem para a cadeia. O juiz tem que decidir quem deve ficar lá ou não, pois não
há lugares para todos. Então entra a matemática financeira, MAIS VALE suprimir
um que tem para gastar com muitos do que liberar um que não tem nada para
gastar com ninguém. Imaginem dez pessoas são condenadas á
prisão, só há lugar para três pessoas, quem você enviaria para LÁ! Aquele que
só pede ou aquele que pode lhe dar um emprego!
Justiça, o que significa
este termo propriamente:
“A
ordem das relações humanas ou a conduta de quem se ajusta a essa ordem” [2].
E quanto ao termo “Direito”
“Existem
quatro: direito Positivo; direito Natural; direito á força; direito como uma
Técnica social”[3].
Caro leitor amigo, pegue o
primeiro termo (justiça) junte o ao segundo termo (direito) e você perceberá em
pouquíssimo tempo “o” por que o direito é uma Ciência, somente os mais ilustres
cientistas são capazes de explicar “o” por que disto e “o” não porque disto, ou
seja, uma coisa e outra coisa são diferentes na mesma proporção que são as
mesmas coisas partindo dos “Doutores (Quot capita, tot sententiae[4])” da lei!
Um sujeito penetra um
escritório de advocacia e diz ao “Advogado (o advogado é um ser em atividade amoral
‘condição Sine qua non[5]’)”:
Matei uma pessoa!
O “Advogado” diz:
Estão dizendo que você
matou; é diferente! Quem é o senhor?
Eu me chamo Tersistes[6].
O “Advogado”: É, realmente
você matou como mereceu aquela bela cajadada no lombo que você foi fustigado e a traz até os dias
de hoje.
[1]
Personificação do engano.
[2]
Dicionário de Filosofia Nicola Abbagnano.
[3]
Idem.
[4] Cada
cabeça uma sentença
[5] “sem a/o qual não pode deixar de ser”.
[6]
Personagem da Ilíada de Homero.
Eder Rizotto
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