Pena-de-morte.
Outro dia num passado não muito
distante, estava eu sentado no sofá sem saber o que assistir na tv, afinal de
contas, nos dias atuais quanto você não está assistindo tv, você está sentado
no sofá diante da tv; pois bem, estava eu assistindo tv quando me dei conta que
o programa era a respeito da execução de pena de morte nos Estados Unidos.
O programa esclarecia as
circunstâncias do processo, mas minha atenção focou em um detalhe; vamos a
eles. As execuções poderiam ser através de injeção letal, câmera de gás ou
choque-elétrico. Pois bem, conforme depoimento de pessoas e de profissionais
que participam dessas situações há um fato que é digno de nota. Em todos os
tipos de execuções a pessoa que sofre a pena capital não tem morte imediata.
Faço aqui um entrementes, o que não
falta nos folhetins e nos noticiários das tvs são os casos de mortes súbitas,
ou seja, o indivíduo morre numa velocidade tão acelerada que o próprio morto
desconhece o fato de estar morto.
Semana passada, por exemplo, Bilu,
morador da vila da Penha, ao atravessar a rua com um sorriso enorme no canto
esquerdo dos lábios para Marivalda, foi atropelado por um carroceiro, entrou na
via pública vivo e atravessou a mesma, de menos de três metros de largura
morto. Horisvaldo, morador do Jardim das Acácias, estava mostrando ao filho
Percivaldo, os cuidados que deve tomar quando estivesse andando de bicicleta, a
barra da calça enroscou entre a coroa e a corrente, desequilibrou, caiu, bateu a
cabeça no meio-fio e morreu na-ora! Sem contar tantos outros fatos de pessoas
que tropeçam e caem em cima de algo pontiagudo, mergulhos em piscinas rasas que
o elemento volta do fundo morto com a cabeça rachada, e por ai vai.
Volto às execuções. Por que nos
casos de execuções os executados demoram tanto para morrer? Por que os meios
usados não são tão eficazes quanto às situações cotidianas de pessoas que estão
simplesmente vivendo uma vida tão despretensiosa, um momento em que o
importante são os compromissos, os desejos pessoais e seus devaneios? Quantos de
nós deixamos de fazer uma consulta ao médico, ao dentista, ao psicólogo, à academia
e tantas coisas que nos faz bem, mas acreditamos que sempre haverá um novo
amanhã, ou seja, não preocupamos com o nosso bem estar no futuro, mas quando
menos esperamos nos deparamos com a morte, geralmente uma morte instantânea,
mas o condenado não, tudo é planejado e executado para este morrer rapidamente,
mas não, ele tem um tempo para morrer no seu momento de morte!
Volto a pena de morte, o que leva um
cidadão a cometer tantas atrocidades com os membros de sua sociedade? Por que o
Estado vê na pena de morte uma solução para o bem estar de seus membros? Por que
acreditamos que a pena de morte é um meio para solucionar questões da sociedade
se nós não sabemos qual é o verdadeiro sentido da vida, digo da vida, não de
viver.
O Estado não é pai ou mãe dos
cidadãos, mas tem uma parcela muito grande de responsabilidade, afinal, o
Estado é responsável pelos eventos que a sociedade está exposta. As carências
de uma pessoa hoje podem ser as razões de ações no amanhã. Pais que não tem
condições de manterem seus filhos em escolas, o Estado que não oferece condições
mínimas de formação de uma pessoa que possa exercer a cidadania de forma
minimamente, com certeza o Estado está promovendo sub-repticiamente marginais,
delinquentes, baderneiros amanhã.
Não queremos morrer porque queremos
viver, uma vez que não sabemos por que vivemos, não queremos morrer por que na
morte não há sentido lógico, prático ou moral, podemos não saber qual é o
sentido da vida, mas podemos dar vários sentidos para a vida.
Há grupos que diz que o sentido da
vida está em Deus, mas acredito que há outros motivos tão importantes quanto este,
afinal, o que seria de Deus sem os homens ou vice-versa, não há pai sem filho,
filho sem pai, a essência de um se faz no outro. A própria razão desconhece as
razões numa pena de morte, o problema não estar em eliminar uma pessoa, mas o que
fundamenta essa ação. O homem não vive para morrer, mas morre pela vida.

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